Seja bem-vindo(a) ao meu lar.


Boa Tarde
02/11/2009, 19:41
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No momento que percebi estar atuando em um empolgante dia o tempo mostrou não estar tão contente como no dia anterior. Havia ameaça de chuva e o sol estava tão tímido que parecia querer brincar de se esconder. Que brincadeira mais sem graça!
Pela primeira vez, com exageros à parte, cumpri com o trato do tempo e fui enrolado durante 8 minutos. Ela estava atrasada como de costume e eu adiantado para variar o meu atraso costumeiro. Acredito que as fotos possuem a capacidade de escolher os nossos piores ou melhores instantes, sem meio termo. Desta maneira é comum a dúvida da realidade ser fielmente igual ao que a fotos congelam. Eu só a enxergava nos seus melhores momentos e isso foi suficiente para o sol começar a raiar sobre a minha cabeça. Ela estava linda como Deus ordenou em seu nascimento e arrumada como eu havia pedido em uma ligação de uma semana. Ruiva, brincos e uma pena vermelha, pulseiras, um perfume doce, uma saia com estampas que despertam minha criatividade. Ela sabe como se arrumar para mim ou para qualquer um que aguce o seu interesse porque ela simplesmente sabe como ser desejada. Usa toda sua criatividade com as cores de forma tentadora e plausível.
Uma tarde inteira tomada por uma conversa interminável. Esperávamos o pôr-do-sol que finalmente aconteceu quando as nuvens escuras resolveram tomar o céu. Não sou um príncipe encantado que oferece encontros perfeitos e os acasos não são muito amigáveis comigo. Contudo aquela tarde estava sendo agradável de uma forma que eu necessitava há bastante tempo. Se um beijo não acontecesse poderia ser classificado até como normalidade porque durante horas parecíamos amigos quase irmãos. Um beijo aconteceu.
Foi o pior beijo que já recebi/dei. Poderia jurar que essa teoria de beijos que não se encaixam é pura lorota. Queria acreditar que era mentira mas o meu querer foi pouco comparado com a verdade que estava ali, tocável. Vale aqui um termo chulo: Que merda!
Nos olhávamos com vergonha e com poucos movimentos. Nos tocávamos sem jeito e com pouca segurança. Se outro beijo não acontecesse poderia ser classificado até como normalidade porque durante mais uma hora parecíamos amigos quase irmãos novamente. Outro beijo aconteceu. Foi o suficiente para querer mais e ainda com mais vontade de querer mais do que havia sido desejado, mais e mais e mais…



Mútuo
20/10/2009, 1:53
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O meu eu newtoniano riu de mim
Em um consolado momento de litígio
O meu eu aristotélico riu comigo
E contudo eu morri rindo
Largado assistindo ao meu devaneio
Apreciei mil lugares ao mesmo tempo
Encarnei dois corpos em um mesmo instante
E no mesmo lugar me tornei todos
Então tudo que todos carregavam a vida toda
Tornou-se nada para poupar poucos
Da real e errônea repulsa da falta de tudo
Tanto faz se é erro enraizado ou auxiliado
Os ingressos não foram aceitos com gratidão
Devido a essas taxas cambiais humanizadas
Com a necessidade enfatizada de não se doar
Largado assistindo ao meu devaneio
Não houve uma alma que aceitasse
O convite de compartilhar comigo esse meu eu
Essa vontade afanosa de entender tudo e todos
Tanta metade impossibilitada
de formar um seguimento completo
É um composto de metades que não se ligam
Não se beijam e não sabem se tocar
Sem a maldita cobrança de atos pré-estabelecidos
Por sexo que seja errar com sabedoria
Pôr cerveja, pôr vodka, pôr whisky, pôr tequila
Por esse nosso medíocre tempo de vida
Por deus e
ou por nós



Teatro de Tintas
17/10/2009, 21:41
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Eu queria poder tocar
Todos os detalhes que vejo no céu
Corpos celestes
Estrelas que brilham como nós
Ouço o som que é canto
Do vento que é brisa
Esse mar é tão lindo
É fruto da arte divina como nós
É tão lindo
Acordo de um sonho sorrindo
Você sempre está lá
Com improvisos precavidos
A gente se faz ao vivo
Com improvisos precavidos
A gente se faz

Nascemos uma folha em branco nunca usada
Riscamos, rabiscamos o que não nos vale nada
Colorimos dando eternidade a momentos bons
Nos sujamos de tinta
Não lavamos as mãos
É tão certo
Não acredito em destino
A vida se faz ao vivo
Com improvisos precavidos
A vida se faz



Eles
11/10/2009, 0:41
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Desagrado os meus olhos quando a enxergo melhor
pois outro olhar invade e ocupa os meus olhos
Ela se acha feliz mas não se sente
apóia sua vontade em desejos de tanta gente
Contrários e alheios mas de quem a ama
Contra seus secretos anseios
Repele do peito uma vontade, um drama
Querem seu bem
Um bem não bem acompanhado
Mas sua vontade retém

Contradiz continuamente dizeres de 12 horas de idade
e assim no final de cada dia retoma a sua real necessidade
Ele se acha um vencedor por arrancá-la
dos braços de um sincero lutador
A vitória cessa e seca
se não houver contínua luta
Ele se esquece dos detalhes
e paga por não ter consciência alguma
São desejos contrários e alheios
mas de quem a ama
Secretos anseios

Ela,uma tola
Ele,o seu caso perdido



Mujer
26/09/2009, 22:21
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cigarro

Sutileza para entender tamanho imbróglio
Me afogo na parte que de mim cede
E se é de tempo que preciso nada procede
E prossegue enquanto regrido
Na falta do beijo me agrido
E faço zunido nos ouvidos
De quem em mim percorre
Quase me mata quando me encolhe
Sem saber enfeita com fel o que anseio degustar
Transforma em labuta assistir a um simples sorriso
Da boca em que, sem aviso, quero repousar
Um só cigarro é pouco por vez
Com um doce perfume talvez
Como um engodo certamente é
Essa mulher, esta mujer



Nosso Lar
19/09/2009, 17:07
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A corner in an abandoned asylum in Pistoia, Tuscany.

É você que anuncia a chegada do sol
parece ser real, é o que parece
Abri as janelas para que entre sem alarmar
Seja o meu sol, meu par
Seja bem-vinda ao meu lar
É fácil perceber o que me falta, ajuda
Pois só não sou nada
Não só sou nada como também só
Ilumina o meu lar
Faça dele o seu

Veja então aquela bíblia largada no chão
não é ato de rebeldia, é só o descuido
da fé que tive um dia
Mas isso já está sendo arrumado
o que me incomoda agora é essa sala vazia
Quero crianças brincado e gritando
Você bem que podia me ajudar
fazendo em mim o seu lar
Pois só não sou nada
Não só sou nada como também só
Ilumina o meu lar
Faça dele o seu




Ruído
18/09/2009, 21:46
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Estão fazendo vigília pra todos os santos
Tanta corrente de oração
Fazendo frente à paz armada desse mundo cão
Vira-lata, que vira a pata na cara do bom e velho amor
Exaltam o tom de voz e se esquecem
que a verdade se embrenha entre nós
Silenciosamente nos machuca, dói
Tanto barulho por nada
Muito barulho pra nada
Só mais um pouco de paz
Eu ouvira minha voz
Eu sentiria o meu corpo
Eu me vestiria de luto pra enterrar
tanta magoa, tanto desgosto
Eu vejo cara de fome de vontade
Eu vejo falta de vontade de acabar com a fome
Eu vejo a fome acabando com o homem
Eu vejo o homem se acostumando com a fome



Vergonha na Cara
04/09/2009, 20:25
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Eu não gosto da face santa
não gosto dos bons modos
Eu gosto da face que se bate
Sexo com a sua integridade
Animalidade
Gosto de amor com brutalidade
e carinho com libertinagem
Eu não gosto de beijo sem intenção
gosto de beijar com o corpo
Mãos
Gosto da criatividade lascívia
Gosto da falta de vergonha na cara
Gosto da fala mansa que me cala
Gosto do gemido tremido e falhado
Inebriante
Não gosto de saber a hora de parar
gosto de abusar e usar
Gosto de ser usado e maltratado
Gosto da respiração cansada
Exaustão
Gosto do suspiro e arrepio
Gosto da pele marcada com unhas e dentes
Gosto de saber ser indecente
Gosto de arrancar a inocência
Indecência
Eu não gosto do orgasmo fingido
Gosto de não correr esse risco.



Por fim
23/08/2009, 23:29
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Fui ruim no jogo
O fracasso não me deixou mentir
Veja você
Você bem que disfarça e retoma nossa graça
E eu não me vejo
Perdi a cabeça enquanto a gente se perdia
E me importei com o não lugar de coisa alguma sem saber
Pra variar você vem e me desgraça
E retoma nossa farsa com orgulho pra esquecer
Sei lá se o tempo nos esqueceu
Você ainda diz ser seu
Eu e tudo que escrevi sobre o estrago
Então acordo pra sonhar
São voltas nas voltas de um mesmo lugar
Estou tão fora do eixo
Esse meu desleixo é o meu pior inimigo, eu sei
Tanta culpa por fim não importa
Ah, meu amor, não me deixe tão solto assim
Que eu tomo gosto pelo o que não quero ser
Eu confundo em querer ser ou estar sozinho
Perdoe a minha imperícia com o meu amor



Meu Bem
29/06/2009, 17:29
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Meu bem, onde estava você?
Não deixe mais
o meu mal ficar por muito tempo
Nada vai me afastar de você
se for para ser
Deus ajuda, será
Você me ensinou que fé é amar sem provas
Eu provo que te amo
É mais que

Linda, doce
vívida
Meu bem

Eu não quero esperar por te esperar
Nunca fará parte dos planos
amar sem ter onde depositar
Olhe para mim
Não se explique
Diga que é feliz e fique
Você me ensinou que fé é amar sem provas
Eu provo que te amo
É mais que fé

Não estava em meu quarto
Não encontrava nas cordas as minhas notas
Esse é o meu mal
Esse é o meu caos